O Que Está Acontecendo com os Cmeis em Goiânia
Nos últimos meses, a cidade de Goiânia tem vivido um período de incertezas e mudanças no que diz respeito à educação infantil. Várias unidades de educação infantil, conhecidas como Cmeis (Centros Municipais de Educação Infantil), foram fechadas abruptamente ou estão passando por reestruturações sem a devida transparência e justificação por parte da administração municipal. Essa situação gerou preocupação e indignação entre pais, educadores e a comunidade em geral, que se sentem desassistidos e sem informações claras sobre as razões dessas mudanças.
A vereadora Aava Santiago, em um ato de defesa do direito à educação pública de qualidade, protocolou uma Notícia de Fato no Ministério Público de Goiás, buscando esclarecer os motivos e exigir que a Prefeitura apresente laudos técnicos e estudos que justifiquem esses fechamentos. Segundo relatos, instituições como o Cmei Santos Dumont, Cmei Água Branca, entre outros, têm sido afetadas, levando muitos alunos a perderem suas vagas e, consequentemente, a sua continuidade no processo educativo.
Além disso, a forma como as decisões têm sido comunicadas às comunidades é alarmante. Muitas vezes, as informações chegam via mensagens em grupos de WhatsApp ou notificações colocadas nos portões das escolas, o que evidencia uma falta de respeito e consideração pelo direito à informação dos cidadãos. Tal situação traz à tona questões sobre a prioridade que a administração pública está dando à educação infantil, vital para o desenvolvimento das crianças.

Riscos ao Patrimônio Público
O fechamento de unidades de educação infantil não apenas afeta a vida de inúmeras famílias, mas também coloca em risco o patrimônio público. Os Cmeis são construções que representaram um investimento significativo por parte do município, e seu desmantelamento sem justificativas claras parece não respeitar o que foi conquistado ao longo de anos de esforços e recursos públicos. A falta de valorização desse patrimônio se reflete em uma política educacional que não considera a importância da educação pública de qualidade.
As decisões tomadas sem um planejamento adequado, que não incluem a participação da comunidade, levantam sérias questões sobre o futuro das políticas educacionais em Goiânia. A gestão pública deveria estar comprometida em zelar pelo que foi criado, especialmente em um setor tão fundamental como a educação. O risco é que a descontinuidade desses serviços os leve a um abandono gradual, tornando, assim, inviáveis os espaços que já foram instrumentos de formação e desenvolvimento para várias gerações.
Impactos nas Famílias e Comunidades
O fechamento dos Cmeis gera uma série de impactos diretos e indiretos nas famílias e comunidades envolvidas. Em primeiro lugar, para muitas mães e pais, a educação infantil é um serviço essencial que permite a conciliação entre o trabalho e os cuidados com os filhos. A perda das vagas em Cmeis significa que muitas crianças não têm acesso a um ambiente seguro e educativo, o que pode prejudicar seu desenvolvimento inicial. Além disso, sem a opção de escolas próximas, as famílias podem ter que buscar alternativas mais distantes, aumentando os custos com transporte e tempo, o que impacta também sua rotina.
Outro aspecto relevante é o emocional. O fechamento de uma escola pode causar incerteza e estresse, não só nas crianças que estão sendo transferidas, mas também nos pais e educadores que dedicaram seu tempo e esforço a esses lugares. As comunidades muitas vezes se reúnem em torno da escola, e o fechamento pode acabar desestruturando essas redes de apoio e convivência. Quando unidades educativas são desmanteladas, o efeito em cadeia atinge todos que estruturam suas vidas em torno desse pilar de suporte educacional.
A Falta de Laudos Técnicos
Um dos pontos levantados pela vereadora Aava Santiago e que gerou grande preocupação é a ausência de laudos técnicos que justifiquem os fechamentos e as reestruturações das unidades de educação infantil. Para uma atuação que impacta a vida de crianças e famílias, é fundamental que a gestão pública apresente estudos técnicos e fundamentados que embasem suas decisões.
Os laudos técnicos não são apenas uma formalidade burocrática, mas sim uma necessidade que assegura que decisões administrativas são fundamentadas em dados. Sem essa documentação, a legitimidade dos fechamentos fica comprometida, e a impressão que se tem é de um movimento administrativo que carece de planejamento e seriedade. Para garantir a qualidade da educação, é preciso que haja um acompanhamento rigoroso dos espaços educativos, garantindo que se cumpra o padrão de qualidade estabelecido.
Decisões Sem Comunicação Adequada
A forma como as decisões relativas ao fechamento dos Cmeis têm sido comunicadas é também motivo de descontentamento. As informações têm chegado de maneira inconsistentes, muitas vezes apenas por avisos informais, o que demonstra uma falta de respeito com a comunidade escolar. Quando pais e responsáveis recebem notícias pela primeira vez por mensagens ou cartazes improvisados, há um sentimento de negligência e desconsideração por parte da administração.
A transparência é um dos pilares da confiança na gestão pública, e a falta de comunicação adequada gera desconfiança e revolta. Para qualquer mudança significativa na vida da comunidade, é essencial que se realizem audiências, reuniões e espaços de diálogo onde as vozes dos cidadãos sejam ouvidas. Só assim é possível construir uma política educacional que realmente atenda às necessidades da população.
Estratégia de Terceirização na Educação
A proposta de terceirização de unidades de educação infantil em Goiânia, que já começou a ser implementada, é uma das principais preocupações levantadas pela vereadora Aava Santiago. Enquanto a ousadia da gestão em transferir a responsabilidade educacional para entidades privadas causa receios, muitos veem isso como uma estratégia deliberada que visa à privatização da educação infantil pública. É uma questão que exige debate e reflexão sobre as consequências desse modelo.
Ao optar pela terceirização, corre-se o risco de criar uma rede educacional desigual, onde as unidades privadas podem priorizar o lucro em detrimento da qualidade do ensino. Por outro lado, gerir a educação infantil como uma responsabilidade do Estado é essencial para garantir que todas as crianças tenham acesso a uma formação de qualidade, independente de seu contexto social ou econômico. A educação deve ser vista como um bem público, e não como um produto a ser vendido.
Aumento nos Recursos para Entidades Privadas
Um dos argumentos levantados pela vereadora Aava relaciona o aumento no investimento em entidades privadas com o fechamento dos Cmeis. Em 2025, um exemplo claro foi o repasse de cerca de R$ 15 milhões a uma entidade filantrópica, levantando questionamentos sobre a real prioridade do orçamento público municipal. Esses recursos poderiam ter sido utilizados para melhorar os serviços públicos existentes, em vez de favorecer a lógica da privatização.
Esse desvio de verbas deixa evidente que, enquanto a rede pública é desmontada, a rede privada é favorecida indiretamente. Isso perpetua e acentua a desigualdade no acesso à educação, ao mesmo tempo em que os Cmeis tradicionais enfrentam dificuldades financeiras e eventual fechamento, criando um ciclo vicioso que favorece ainda mais a privatização.
A Reação da Comunidade
A comunidade goianiense, diante das notícias sobre o fechamento dos Cmeis, tem se mobilizado. Pais, professores e cidadãos em geral estão se unindo para protestar contra a falta de transparência e as decisões unilaterais tomadas pela administração municipal. A pressão popular é fundamental para exigir mudanças e garantir que os direitos das crianças e das famílias sejam respeitados.
A reação da comunidade também vem na forma de movimentos sociais que buscam dialogar com a prefeitura e apresentar demandas. A organização comunitária é um passo essencial para reivindicar o acesso a uma educação pública de qualidade e defender seus direitos. Quando as vozes da população se unificam, isso pode resultar em mudanças significativas e positivas na gestão pública da educação.
O Papel da Transparência na Gestão Pública
A transparência deve ser um valor inegociável da gestão pública. A população tem o direito de saber como e por que as decisões estão sendo tomadas, especialmente quando se trata de questões tão sensíveis como a educação infantil. A falta de responsabilidade e transparência impede que a sociedade realize seu papel de fiscalização e controle social. Uma gestão que se preocupa em prestar contas à sociedade é uma gestão que demonstra compromisso com o bem público.
Neste contexto, a Câmara Municipal e as ferramentas de controle social devem atuar de forma a garantir que a gestão educacional cumpra com seus deveres e responsabilidades. Revisar contratos, exigir laudos técnicos e melhorar a comunicação com a população são passos importantes para restaurar a confiança na administração pública.
O Futuro da Educação Infantil em Goiânia
O futuro da educação infantil em Goiânia está em jogo e depende de ações concretas tanto da administração pública quanto da sociedade civil. Há uma necessidade urgente de repensar as políticas educacionais, priorizando uma educação infantil que seja pública, gratuita, de qualidade e acessível a todas as crianças, independente de sua origem social. È fundamental que haja um compromisso coletivo com a construção de um sistema educacional que valorize e proteja as crianças.
Para isso, é necessário um planejamento que envolva todas as partes interessadas, desde os educadores, os pais e, principalmente, as crianças. O diálogo com a comunidade deve ser uma constante e não um evento esporádico. Intervenções que promovam a educação infantil de forma contínua e respeitosa com as diretrizes e o patrimônio público necessário são fundamentais. A construção de um modelo de educação baseado na inclusão, acessibilidade e qualidade é uma responsabilidade coletiva e não pode ser negligenciada.

