Programação do Festival
O Festival das Artes Negras é um evento que surge na cidade de Goiânia como uma celebração vibrante da cultura negra e da resistência. A programação, que se estende de 15 a 23 de novembro, terá atividades diversificadas, incluindo exposições de arte, apresentações de música e debates que abordam temas importantes relacionados à identidade e à ancestralidade. Um aspecto significativo do festival é que todas as atividades são gratuitas, o que garante acesso inclusivo para todos os interessados em explorar e celebrar a cultura negra.
A abertura do festival ocorrerá no dia 15 de novembro no Museu Antropológico da Universidade Federal de Goiás (UFG). Durante este período, os participantes poderão vivenciar não apenas as exposições de arte, mas também interagir com artistas locais e discutir questões sociais pertinentes. A programação inclui ainda oficinas e sessões de cinema que fortalecem o entendimento das experiências afro-brasileiras.
A importância de um evento dessa magnitude não pode ser subestimada. Além de ser um momento de celebração, o festival também serve como uma plataforma para a reflexão e o aprendizado sobre a cultura africana e afro-brasileira, seu impacto e influência ao longo da história do Brasil. Com isso, fica claro que o Festival das Artes Negras é uma oportunidade não só para o entretenimento, mas também para o engajamento social e a conscientização.

Abertura no Museu Antropológico
A abertura do Festival no dia 15 de novembro está programada para as 19h e promete ser uma noite cheia de emoção e aprendizado. O Museu Antropológico, localizado na UFG, servir como um cenário perfeito para as exposições que refletem a rica cultura negra. As obras expostas não são apenas coleções de arte; elas contam histórias de luta, resistência e identidade.
As exposições “Entre Olhares, Raízes e Memórias” e “Iyá Agba – As Matriarcas” são dois dos destaques da programação. Essas mostras coletivas reúnem artistas como Raquel Rocha, Rafaela Rocha e Lucas Almeida, que utilizam suas obras para refletir acerca das experiências afro-brasileiras. Ao visitar essas exposições, os participantes poderão sentir o impacto emocional das obras, cujas narrativas visam promover um olhar crítico sobre a sociedade e suas disparidades.
A primeira exposição, “Entre Olhares, Raízes e Memórias“, é um convite à reflexão sobre as identidades que compõem a nação brasileira. As obras apresentadas convidam os visitantes a explorar não apenas a estética, mas também a história e as realidades sociais que essas obras representam. Por outro lado, na exposição “Iyá Agba“, há uma oportunidade única de homenagear as Mães de Santo, figuras fundamentais na religião afro-brasileira, que enfrentaram década após década a tentativa de apagamento de suas práticas e tradições.
Exposições que Contêm Controvérsias
As exposições do festival não escapam às controvérsias, que muitas vezes surgem quando o tema envolve identidades raciais e culturais. A exposição “Entre Olhares, Raízes e Memórias” aborda temas sensíveis, que podem provocar debates acalorados entre os visitantes. A arte sempre foi uma forma de expressão que enfrenta questões sociais, e neste festival, a arte negra se destaca como um meio de resistência ao racismo e à exclusão.
Além disso, a atuação das Mães de Santo e a religiosidade afro-brasileira são frequentemente alvo de preconceitos e desinformação. A exposição “Iyá Agba“, que presta homenagem a essas mulheres, também busca desmistificar conceitos errôneos que cercam as tradições africanas e suas práticas religiosas. Ao educar a comunidade sobre esses aspectos, as exposições não apenas promovem a arte, mas também atuam como uma clara declaração contra a intolerância.
Este espaço de diálogo aberto permite que todos os interessados possam debater suas perspectivas e sentimentos sobre os temas abordados. Essa interação enriquece a experiência, permitindo que o festival se torne um verdadeiro espaço para discutir a resistência e a cultura negra no Brasil contemporâneo.
Cortejo Tambores do Orum
O Cortejo Tambores do Orum, agendado para o dia 20 de novembro, às 16h, promete ser um dos pontos altos da programação. Este evento marca a estreia do bloco de percussão formado exclusivamente por pessoas negras, que traz em seu enredo “A Revolta dos Malês e o Levante Africano“. Este cortejo não é apenas uma apresentação musical; é uma celebração significativa das lutas históricas e atuais do povo negro.
Este bloco se concentrará na Avenida Planície, onde os participantes poderão observar a fusão de ritmos tradicionais com uma mensagem poderosa de resistência. O objetivo do cortejo é enfatizar a importância da memória coletiva e da história dos movimentos de resistência, mostrando que a arte pode ser uma forma de ativismo.
A escolha do enredo não é aleatória. A Revolta dos Malês, que ocorreu em 1835, é um evento marcante na luta contra a opressão e a busca por liberdade. Ao homenagear este momento histórico, o festival reconecta os participantes com suas raízes, lembrando a todos sobre a importância de entender a história para avançar em direção a um futuro mais justo e igualitário.
Debate sobre Racismo à Brasileira
Um dos pontos altos da programação é o debate marcado para o dia 21 de novembro, com a exibição do filme “Two Distant Strangers“, que gerou bastante expectativa. Após a sessão, ocorre uma conversa liderada pelo babalorixá e antropólogo baiano George Hora. Nesta conversa, o tema central será a discussão do racismo à brasileira e como ele se manifesta nas representações da mídia.
Esse debate é crucial, pois o racismo é um problema persistente no Brasil, e promover discussões abertas é fundamental para a progressão social. George Hora, com sua bagagem acadêmica e vivencial, traz à tona questões que muitas vezes são ignoradas. O objetivo é permitir que os participantes reflitam sobre sua própria posição em relação ao racismo e busquem formas de combatê-lo em suas vidas diárias.
Através da análise crítica e da arte, o festival proporciona um ambiente onde o conhecimento e a empatia possam crescer. Este tipo de diálogo é essencial para fomentar um futuro mais inclusivo, onde diversidade e respeito sejam fundamentais.
Projeto Solos Marginais
Nos dias 22 e 23 de novembro, às 20h, o festival apresentará o projeto “Solos Marginais“, que traz quatro solos circenses. Sob a direção de Marcelo Marques, os artistas Codjo Kpade, Cauê Marques, Matheus Alcântara e Raquel Rocha mostram suas habilidades e criatividade em performances que cruzam a dança, o teatro e o circo.
A proposta do projeto é explorar os limites do corpo e da expressão individual, nas várias tramas que compõem a cultura negra. Essas performances são mais do que meras apresentações; elas são uma representação das vivências e das lutas diárias da comunidade negra. A ideia é que, ao participar dessas apresentações, o público não veja apenas um espetáculo, mas estabeleça uma conexão emocional com o que está sendo apresentado.
Os “Solos Marginais” são uma excelente oportunidade para os artistas se expressarem e contarem suas histórias de maneira única, mostrando que a arte é uma forma poderosa de resistência e de reivindicação de espaço. Com isso, o festival se torna uma vitrine não apenas de talentos, mas também de narrativas que precisam ser ouvidas.
Importância da Cultura Quilombola
A cultura quilombola é um dos pilares do Festival das Artes Negras. Os quilombos representam espaços de resistência e preservação cultural, onde o legado de africanos e afro-brasileiros é mantido vivo por meio de suas práticas, tradições e crenças. No contexto atual, é fundamental reconhecer e valorizar essas culturas, que são frequentemente marginalizadas e esquecidas.
A presença do Orum Aiyê como primeiro quilombo cultural de Goiânia é, sem dúvida, um marco importante. Ele não só promove a cultura afro-brasileira, mas também atua como um espaço de resistência e formação, onde são desenvolvidas atividades que valorizam a ancestralidade. Através do festival, esses aspectos se tornam ainda mais visíveis, contribuindo para que a cultura quilombola alcance um público mais amplo e ganhe o respeito que merece.
Através do conhecimento e da interação cultural, é possível romper barreiras e preconceitos. O festival é uma oportunidade única de educar e sensibilizar as pessoas sobre a importância da cultura quilombola e de como essa herança é fundamental para a identidade nacional. Assim, cada inclusão de um aspecto quilombola no festival enriquece não apenas o evento, mas a sociedade como um todo.
Homenagem às Mães de Santo
Uma parte fundamental do festival é a homenagem às Mães de Santo, que são figuras centrais nas comunidades afro-brasileiras, tanto em termos religiosos quanto sociais. Essas mulheres desempenham um papel crucial na preservação das tradições, ensinando e transmitindo conhecimentos a suas comunidades. A exposição “Iyá Agba – As Matriarcas” busca celebrar essas líderes e suas contribuições significativas.
A importância da religiosidade afro-brasileira não pode ser subestimada; ela é uma manifestação rica de cultura, com suas próprias histórias, danças e rituais. O festival reconhece e valoriza a resistência dessas mulheres que enfrentaram o preconceito e a perseguição, e que continuam a lutar pela afirmação de suas identidades e práticas religiosas.
Ao homenagear as Mães de Santo, estamos reafirmando a importância do respeito e da valorização das tradições africanas, que fazem parte do nosso patrimônio cultural. Essa homenagem é também um convite para todos os participantes refletirem sobre a diversidade que compõe o Brasil, promovendo um espaço de acolhimento e reconhecimento.
A Contribuição de Marcelo Marques
Marcelo Marques, como diretor e curador do festival, tem um papel central na concepção e realização do evento. Com uma visão clara de unir passado e presente, Marques destaca a conexão entre a história de Palmares e a cultura do Cerrado, facilitando uma resistência que é simbólica. Sua proposta é fazer com que o festival não seja apenas um evento cultural, mas uma verdadeira experiência de imersão na cultura negra.
Marques acredita que eventos como este são essenciais para a valorização das histórias afro-brasileiras e para a promoção de um diálogo aberto sobre as questões enfrentadas pela população negra. Sua experiência como curador traz um olhar sensível e crítico, que é fundamental para que o festival tenha conteúdos representativos e impactantes.
Através da sua liderança, o festival se torna um espaço de troca e aprendizado, promovendo um ambiente onde artistas e público podem refletir e expressar suas vivências. Ao final, a contribuição de Marcelo Marques é inegável, colocando um foco necessário nas questões de ancestralidade e resistência que compõem a cultura brasileira.
Como Participar do Festival
Participar do Festival das Artes Negras é uma oportunidade única para todos que desejam aprender, celebrar e se envolver com a cultura afro-brasileira. As atividades têm entrada gratuita, incentivando a inclusão de todos os interessados em vivenciar as ricas histórias contidas na cultura negra. Para aqueles que buscam uma experiência enriquecedora, basta comparecer aos eventos programados, respeitando os horários e os locais indicados.
Além de assistir às exposições e apresentações, o público pode participar de debates e oficinas, permitindo uma interação mais profunda com os temas abordados. O festival também conta com a presença de especialistas que estarão disponíveis para discutir questões cruciais sobre a cultura e a identidade negra.
Vale ressaltar que a participação no festival não é apenas um ato de entretenimento, mas sim uma contribuição para a valorização e disseminação da cultura africana e afro-brasileira. Portanto, é fundamental que as pessoas se sintam motivadas a participar não apenas como espectadores, mas como agentes ativos em um diálogo necessário e urgente sobre igualdade, respeito e cultura.

