{"id":2584,"date":"2019-01-08T06:52:22","date_gmt":"2019-01-08T08:52:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.encontragoiania.com.br\/sobre\/?p=2584"},"modified":"2019-06-27T05:48:34","modified_gmt":"2019-06-27T08:48:34","slug":"cesio-137-goiania-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.encontragoiania.com.br\/sobre\/cesio-137-goiania-2\/","title":{"rendered":"C\u00e9sio 137 Goi\u00e2nia"},"content":{"rendered":"<div class=\"196752fdcd61442359b13893514e4d90\" data-index=\"1\" style=\"float: none; margin:0px;\">\n<!-- Anuncio display - global -->\r\n<ins class=\"adsbygoogle\"\r\n     style=\"display:block\"\r\n     data-ad-client=\"ca-pub-8585364105181520\"\r\n     data-ad-slot=\"8789329856\"\r\n     data-ad-format=\"auto\"\r\n     data-full-width-responsive=\"true\"><\/ins>\r\n<script>\r\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\r\n<\/script>\n<\/div>\n<p>Em setembro de 1987 aconteceu o acidente com o <strong>C\u00e9sio-137 (137Cs) em Goi\u00e2nia<\/strong>, capital do Estado de Goi\u00e1s, Brasil. O manuseio indevido de um aparelho de radioterapia abandonado, onde funcionava o Instituto Goiano de Radioterapia, gerou um acidente que envolveu direta e indiretamente centenas de pessoas.<\/p>\n<p>A fonte, com radioatividade de 50.9 Tbq (1375 Ci) continha cloreto de c\u00e9sio, composto qu\u00edmico de alta solubilidade. O 137Cs, is\u00f3topo radioativo artificial do C\u00e9sio tem comportamento, no ambiente, semelhante ao do pot\u00e1ssio e outros metais alcalinos, podendo ser concentrado em animais e plantas. Sua meia-vida f\u00edsica \u00e9 de cerca de 33 anos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-2585 size-full\" title=\"C\u00e9sio 137 Goi\u00e2nia\" src=\"https:\/\/www.encontragoiania.com.br\/sobre\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/cesio-137-goiania.gif\" alt=\"C\u00e9sio 137 Goi\u00e2nia\" width=\"680\" height=\"189\" \/><\/p>\n<p>Com a viola\u00e7\u00e3o do equipamento, foram espalhados no meio ambiente v\u00e1rios fragmentos de 137Cs, na forma de p\u00f3 azul brilhante, provocando a contamina\u00e7\u00e3o de diversos locais, especificamente naqueles onde houve manipula\u00e7\u00e3o do material e para onde foram levadas as v\u00e1rias partes do aparelho de radioterapia.<\/p>\n<p>Por conter chumbo, material de relativo valor financeiro, a fonte foi vendida para um dep\u00f3sito de ferro-velho, cujo dono a repassou a outros dois dep\u00f3sitos, al\u00e9m de distribuir os fragmentos do material radioativo a parentes e amigos que por sua vez os levaram para suas casas.<br \/>\nAs pessoas que tiveram contato com o material radioativo \u2013 contato direto na pele (contamina\u00e7\u00e3o externa), inala\u00e7\u00e3o, ingest\u00e3o, absor\u00e7\u00e3o por penetra\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de les\u00f5es da pele (contamina\u00e7\u00e3o interna) e irradia\u00e7\u00e3o- apresentaram, desde os primeiros dias, n\u00e1useas, v\u00f4mitos, diarreia, tonturas e les\u00f5es do tipo queimadura na pele. Algumas delas buscaram assist\u00eancia m\u00e9dica em hospitais locais at\u00e9 que a esposa do dono do dep\u00f3sito de ferro-velho, suspeitando que aquele material tivesse rela\u00e7\u00e3o com o mal-estar que se abateu sobre sua fam\u00edlia, levou a pe\u00e7a para a Divis\u00e3o de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria da Secretaria Estadual de Sa\u00fade, onde finalmente o material foi identificado como radioativo. Devido \u00e0s caracter\u00edsticas do acidente de Goi\u00e2nia, as vias potenciais de exposi\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o foram: inala\u00e7\u00e3o de material ressuspenso, ingest\u00e3o de frutas, verduras e irradia\u00e7\u00e3o externa devido ao material depositado no ambiente.<\/p>\n<p>A fonte radioativa foi removida e manipulada indevidamente no dia 13 de setembro, por\u00e9m o acidente radioativo s\u00f3 foi identificado como tal no dia 29 do mesmo m\u00eas, quando foi feita a comunica\u00e7\u00e3o \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional de Energia Nuclear \u2013 CNEN, que notificou a Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica \u2013AIEA. Foi acionado um plano de emerg\u00eancia do qual participaram CNEN, Furnas Centrais El\u00e9tricas S\/A \u2013 FURNAS, Empresas Nucleares Brasileiras S\/A \u2013 NUCLEBR\u00c1S, DEFESA CIVIL, ala de emerg\u00eancia nuclear do Hospital Naval Marc\u00edlio Dias \u2013 HNMD, Secretaria Estadual de Sa\u00fade de Goi\u00e1s \u2013 SES\/GO, Hospital Geral de Goi\u00e2nia \u2013HGG, al\u00e9m de outras institui\u00e7\u00f5es locais, nacionais e internacionais que se incorporaram ou auxiliaram a \u201cOpera\u00e7\u00e3o C\u00e9sio-137\u201d.<\/p>\n<p>As primeiras provid\u00eancias foram identificar, monitorar, descontaminar e tratar a popula\u00e7\u00e3o envolvida; as \u00e1reas consideradas como focos principais de contamina\u00e7\u00e3o foram isoladas e iniciou-se a triagem de pessoas no Est\u00e1dio Ol\u00edmpico. A descontamina\u00e7\u00e3o dos focos principais foi feita removendo-se grandes quantidades de solo e de constru\u00e7\u00f5es que foram demolidas. Ao mesmo tempo era realizada a monitora\u00e7\u00e3o para quantificar a dispers\u00e3o do 137Cs no ambiente, al\u00e9m de an\u00e1lise de solo, vegetais, \u00e1gua e ar.<\/p>\n<h3>C\u00e9sio 137 &#8211; Focos de Contamina\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Foram identificados e isolados sete focos principais, onde houve a contamina\u00e7\u00e3o de pessoas e do ambiente e onde havia altas taxas de exposi\u00e7\u00e3o. No total, foram monitoradas 112.800 pessoas, das quais 249 apresentaram significativa contamina\u00e7\u00e3o interna e\/ou externa, sendo que em 120 delas a contamina\u00e7\u00e3o era apenas em roupas e cal\u00e7ados, e as mesmas foram liberadas ap\u00f3s a descontamina\u00e7\u00e3o. As outras 129 passaram a receber acompanhamento m\u00e9dico regular. Destas, 79 com contamina\u00e7\u00e3o externa receberam tratamento ambulatorial; dos outros 50 radioacidentados com contamina\u00e7\u00e3o interna, 30 foram assistidos em albergues em semi-isolamento, e 20 foram encaminhados ao Hospital Geral de Goi\u00e2nia; destes \u00faltimos, 14 em estado grave foram transferidos para o Hospital Naval Marc\u00edlio Dias, no Rio de Janeiro, onde quatro deles foram a \u00f3bito, oito desenvolveram a S\u00edndrome Aguda da Radia\u00e7\u00e3o \u2013 SAR -, 14 apresentaram fal\u00eancia de medula \u00f3ssea e 01 sofreu amputa\u00e7\u00e3o do antebra\u00e7o. No total, 28 pessoas desenvolveram em maior ou menor intensidade, a S\u00edndrome Cut\u00e2nea da Radia\u00e7\u00e3o (as les\u00f5es cut\u00e2neas tamb\u00e9m eram ditas \u201cradiodermites\u201d). Os casos de \u00f3bito ocorreram cerca de 04 a 05 semanas ap\u00f3s a exposi\u00e7\u00e3o ao material radioativo, devido a complica\u00e7\u00f5es esperadas da SAR \u2013 hemorragia (02 pacientes) e infec\u00e7\u00e3o generalizada (02 pacientes).<\/p>\n<h3>C\u00e9sio 137 &#8211; Lixo Radioativo<\/h3>\n<p>O acidente de Goi\u00e2nia gerou 3500 m3 de lixo radioativo, que foi acondicionado em containeres concretados. O reposit\u00f3rio definitivo deste material localiza-se na cidade de Abadia de Goi\u00e1s, a 23 km de Goi\u00e2nia, onde a CNEN instalou o Centro Regional de Ci\u00eancias Nucleares do Centro-Oeste, que executa a monitora\u00e7\u00e3o dos rejeitos radioativos e controle ambiental.<\/p>\n<p>Para executar o monitoramento sobre os efeitos da exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o ionizante nas pessoas que foram v\u00edtimas deste acidente, o governo do Estado de Goi\u00e1s criou, em fevereiro de 1988, a Funda\u00e7\u00e3o Leide das Neves Ferreira. Foram definidos grupos de monitoramento dos pacientes, de acordo com normas internacionais, que consideram como crit\u00e9rios de classifica\u00e7\u00e3o a gravidade das les\u00f5es cut\u00e2neas e a intensidade da contamina\u00e7\u00e3o interna e externa, e que determinou a metodologia dos protocolos de acompanhamento m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Os c\u00e1lculos de dose das pessoas foram feitos com base nos resultados dos exames de dosimetria citogen\u00e9tica, para avalia\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o externa; e de an\u00e1lise de excretas e contador de corpo inteiro para avalia\u00e7\u00e3o da contamina\u00e7\u00e3o interna. Pela t\u00e9cnica de dosimetria citogen\u00e9tica estima-se a dose recebida atrav\u00e9s de aberra\u00e7\u00f5es cromossomiais causadas pela radia\u00e7\u00e3o. A dose estimada \u00e9 proporcional ao n\u00famero de aberra\u00e7\u00f5es existentes. A t\u00e9cnica de an\u00e1lise de excretas \u00e9 chamada de monitora\u00e7\u00e3o in vitro e a de contador de corpo inteiro \u2013 detectores de radia\u00e7\u00e3o s\u00e3o colocados pr\u00f3ximos ao corpo e inferem a quantidade de material radioativo incorporado e subsequentemente a dose \u2013 monitora\u00e7\u00e3o in vivo.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, o Acidente Radiol\u00f3gico com o C\u00e9sio-137 forneceu ensinamentos e possibilitou aprendizados para todo o mundo, em todas as \u00e1reas do conhecimento humano. Das v\u00e1rias li\u00e7\u00f5es aprendidas neste acidente, podemos nos referir \u00e0quela que trata da nossa responsabilidade em conhecer as consequ\u00eancias de se lidar com ci\u00eancia e tecnologia, e ampliarmos os cuidados que priorizam a \u00e9tica e o respeito \u00e0 vida.<\/p>\n<h3>C\u00e9sio 137 &#8211;\u00a0Consequ\u00eancias<\/h3>\n<p>Ap\u00f3s o acidente, os im\u00f3veis em volta do acidente radiol\u00f3gico tiveram os seus valores reduzidos, pois quem morava na regi\u00e3o queria sair daquele lugar, mas o medo da popula\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de radia\u00e7\u00e3o no ar impedia a compra e constru\u00e7\u00e3o de novas habita\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m da desvaloriza\u00e7\u00e3o dos im\u00f3veis, por muito tempo a popula\u00e7\u00e3o local passou por uma certa discrimina\u00e7\u00e3o devido ao medo de passar a radia\u00e7\u00e3o para outras pessoas, dificultando o acesso aos servi\u00e7os, educa\u00e7\u00e3o e viagens. Muitas lojas e o com\u00e9rcio que existiam antes do acidente acabaram fechando ou mudando de endere\u00e7o, sobrando alguns poucos comerciantes que ainda resistiam em continuar na regi\u00e3o.<\/p>\n<h3>C\u00e9sio 137 &#8211; Revitaliza\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o<\/h3>\n<p>Somente no final dos anos 90, a regi\u00e3o come\u00e7ou a passar uma imagem menos &#8220;assustadora&#8221; para os novos inquilinos, atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es do munic\u00edpio e do governo estadual para a revitaliza\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o, revalorizando as casas que estavam nas imedia\u00e7\u00f5es do acidente.<\/p>\n<p>Em quest\u00e3o de poucos anos, o valor das casas da regi\u00e3o central j\u00e1 era entre duas a tr\u00eas vezes maior do que na \u00e9poca do acidente. No in\u00edcio de 2006, a prefeitura de Goi\u00e2nia resolveu revitalizar o antigo Mercado Popular, sendo reinaugurado em novembro de 2006 com a edi\u00e7\u00e3o 2007 da Casa Cor Goi\u00e1s, com a presen\u00e7a de autoridades municipais e estaduais. Em fevereiro de 2007, o Mercado Popular passou a ser um ponto tur\u00edstico da cidade, por possuir uma feira gastron\u00f4mica todas as sextas-feiras \u00e0 noite, sempre acompanhada de m\u00fasica ao vivo.<\/p>\n<p>Aos poucos, a regi\u00e3o atingida pelo acidente vem sendo valorizada, aumentando o interesse de grandes empreiteiras constru\u00edrem pr\u00e9dios de luxo, onde antes eram apenas casebres abandonados.<\/p>\n<h3>C\u00e9sio 137 &#8211; Repercuss\u00e3o do acidente<\/h3>\n<p>O acidente foi descrito em v\u00e1rios document\u00e1rios internacionais, al\u00e9m de filmes, programas de televis\u00e3o, can\u00e7\u00f5es, artigos acad\u00eamicos, teses e disserta\u00e7\u00f5es e livros.<\/p>\n\n<div style=\"font-size: 0px; height: 0px; line-height: 0px; margin: 0; padding: 0; clear: both;\"><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em setembro de 1987 aconteceu o acidente com o C\u00e9sio-137 (137Cs) em Goi\u00e2nia, capital do Estado de Goi\u00e1s, Brasil. 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