{"id":2396,"date":"2018-12-17T08:05:46","date_gmt":"2018-12-17T10:05:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.encontragoiania.com.br\/sobre\/?p=2396"},"modified":"2019-04-15T11:46:34","modified_gmt":"2019-04-15T14:46:34","slug":"cesio-137-goiania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.encontragoiania.com.br\/sobre\/cesio-137-goiania\/","title":{"rendered":"C\u00e9sio 137 Goi\u00e2nia"},"content":{"rendered":"<div class=\"196752fdcd61442359b13893514e4d90\" data-index=\"1\" style=\"float: none; margin:0px;\">\n<!-- Anuncio display - global -->\r\n<ins class=\"adsbygoogle\"\r\n     style=\"display:block\"\r\n     data-ad-client=\"ca-pub-8585364105181520\"\r\n     data-ad-slot=\"8789329856\"\r\n     data-ad-format=\"auto\"\r\n     data-full-width-responsive=\"true\"><\/ins>\r\n<script>\r\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\r\n<\/script>\n<\/div>\n<p>O acidente radiol\u00f3gico de Goi\u00e2nia, amplamente conhecido como acidente com o <strong>c\u00e9sio-137<\/strong>, foi um grave epis\u00f3dio de contamina\u00e7\u00e3o por radioatividade ocorrido no Brasil. A contamina\u00e7\u00e3o teve in\u00edcio em 13 de setembro de 1987, quando um aparelho utilizado em radioterapias foi encontrado dentro de uma cl\u00ednica abandonada, no centro de Goi\u00e2nia, em Goi\u00e1s.<\/p>\n<p>Foi classificado como n\u00edvel 5 (acidentes com consequ\u00eancias de longo alcance) na Escala Internacional de Acidentes Nucleares, que vai de zero a sete, em que o menor valor corresponde a um desvio, sem significa\u00e7\u00e3o para seguran\u00e7a, enquanto no outro extremo est\u00e3o localizados os acidentes graves.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-2397 size-full\" title=\"C\u00e9sio 137 Goi\u00e2nia\" src=\"https:\/\/www.encontragoiania.com.br\/sobre\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/cesio-137-goiania.gif\" alt=\"C\u00e9sio 137 Goi\u00e2nia\" width=\"680\" height=\"189\" \/><br \/>\nA contamina\u00e7\u00e3o em Goi\u00e2nia originou-se de uma c\u00e1psula que continha cloreto de c\u00e9sio \u2014 um sal obtido a partir do radiois\u00f3topo 137 do elemento qu\u00edmico c\u00e9sio. A c\u00e1psula radioativa era parte de um equipamento radioterap\u00eautico onde, dentro deste, encontrava-se revestida por uma caixa protetora de a\u00e7o e chumbo. Essa caixa protetora possu\u00eda uma janela feita de ir\u00eddio, que permitia a passagem da radia\u00e7\u00e3o para o exterior.<\/p>\n<h2>C\u00e9sio 137 Goi\u00e2nia -A origem do acidente<\/h2>\n<p>O Instituto Goiano de Radioterapia (IGR) era um instituto privado, localizado na Avenida Parana\u00edba, no Centro de Goi\u00e2nia. O equipamento que gerou a contamina\u00e7\u00e3o na cidade entrou em funcionamento em 1971, tendo sido desativado em 1985, quando o IGR deixou de operar no endere\u00e7o mencionado. Com a mudan\u00e7a de localiza\u00e7\u00e3o, o equipamento de teleterapia foi abandonado no interior das antigas instala\u00e7\u00f5es. A maior parte das edifica\u00e7\u00f5es pertencentes \u00e0 cl\u00ednica foi demolida, mas algumas salas \u2014 inclusive aquela em que se localizava o aparelho \u2014 foram mantidas em ru\u00ednas.<\/p>\n<p>Foi no ferro-velho que a c\u00e1psula de c\u00e9sio foi aberta para o reaproveitamento do chumbo. O dono do ferro-velho exp\u00f4s ao ambiente 19,26 g de cloreto de c\u00e9sio-137 (CsCl), um sal muito parecido com o sal de cozinha (NaCl), mas que emite um brilho azulado quando em local desprovido de luz.\u00a0O dono do ferro velho ficou encantado com o p\u00f3 que emitia um brilho azul no escuro. Ele mostrou a descoberta para sua esposa, bem como o distribuiu para familiares e amigos. Pelo fato de esse sal ser higrosc\u00f3pico, ou seja, absorver a umidade do ar, ele facilmente adere \u00e0 roupa, \u00e0 pele e aos utens\u00edlios, podendo contaminar os alimentos e o organismo internamente.<\/p>\n<p>T\u00e3o logo expostas \u00e0 presen\u00e7a do material radioativo, em algumas horas as pessoas come\u00e7aram a desenvolver sintomas: n\u00e1useas, seguidas de tonturas, com v\u00f4mitos e diarreias. Alarmados, os familiares dos contaminados foram inicialmente a drogarias procurar aux\u00edlio, alguns procuraram postos de sa\u00fade e foram encaminhados para hospitais.<\/p>\n<h3>C\u00e9sio 137 Goi\u00e2nia &#8211; A demora na detec\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Os profissionais de sa\u00fade, observando os sintomas, pensaram tratar-se de algum tipo de doen\u00e7a contagiosa desconhecida, medicando os doentes em conformidade com os sintomas descritos.\u00a0Um dos familiares do dono do ferro velho desconfiou que aquele p\u00f3 que emitia um brilho azul era o respons\u00e1vel pelos sintomas que ocorriam na sua fam\u00edlia. Ela e um empregado do ferro-velho levaram a c\u00e1psula de c\u00e9sio para a Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria, que ainda permaneceu durante dois dias abandonada sobre uma cadeira. Durante a entrevista com m\u00e9dicos, a esposa do dono do ferro-velho relatou para a junta m\u00e9dica que os v\u00f4mitos e diarreia se iniciaram depois que seu marido desmontou aquele &#8220;aparelho estranho&#8221;. S\u00f3 ent\u00e3o, no dia 29 de setembro de 1987, foi dado o alerta de contamina\u00e7\u00e3o por material radioativo de milhares de pessoas.<\/p>\n<p>O governo da \u00e9poca tentou minimizar o acidente escondendo dados da popula\u00e7\u00e3o, que foi submetida a uma &#8220;sele\u00e7\u00e3o&#8221; no Est\u00e1dio Ol\u00edmpico Pedro Ludovico; os governantes da \u00e9poca escondiam a trag\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o, que aterrorizada procurava por aux\u00edlio, dizendo ser apenas um vazamento de g\u00e1s. Outra raz\u00e3o \u00e9 que Goi\u00e2nia sediava, na \u00e9poca, o GP Internacional de Motovelocidade no Aut\u00f3dromo Internacional Ayrton Senna e o governador do estado Henrique Santillo n\u00e3o queria que o p\u00e2nico fosse instalado nos estrangeiros.<\/p>\n<h3>C\u00e9sio 137 Goi\u00e2nia &#8211; A contamina\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>A Comiss\u00e3o Nacional de Energia Nuclear (CNEN) mandou examinar toda a popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o. No total 1000 pessoas foram expostas aos efeitos do c\u00e9sio, muitas com contamina\u00e7\u00e3o corporal externa revertida a tempo. Destas, 129 pessoas apresentaram contamina\u00e7\u00e3o corporal interna e externa concreta, vindo a desenvolver sintomas e foram apenas medicadas. Por\u00e9m, 49 foram internadas, sendo que 21 precisaram sofrer tratamento intensivo; destas, quatro n\u00e3o resistiram e acabaram morrendo.<\/p>\n<p>Muitas casas foram esvaziadas, e limpadores a v\u00e1cuo foram usados para remover a poeira antes das superf\u00edcies serem examinadas para detec\u00e7\u00e3o de radioatividade. Para uma melhor identifica\u00e7\u00e3o, foi usada uma mistura de \u00e1cido e tintas azuis. Telhados foram limpos a v\u00e1cuo, mas duas casas tiveram seus telhados removidos. Objetos como brinquedos, fotografias e utens\u00edlios dom\u00e9sticos foram considerados material de rejeito. O que foi recolhido com a limpeza foi transferido para o Parque Estadual Telma Ortegal.\u00a0At\u00e9 hoje todos os contaminados ainda desenvolvem enfermidades relativas \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o radioativa, fato este muitas vezes n\u00e3o noticiado pela m\u00eddia brasileira.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s trinta anos do desastre radioativo, as v\u00e1rias pessoas contaminadas pela radioatividade reclamam por n\u00e3o estarem recebendo os medicamentos, que, segundo leis institu\u00eddas, deveriam ser distribu\u00eddos pelo governo. E muitas pessoas contaminadas ainda vivem nas redondezas da regi\u00e3o do acidente, e n\u00e3o oferecem, contudo, mais nenhum risco de contamina\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>C\u00e9sio 137 Goi\u00e2nia &#8211; Lixo at\u00f4mico<\/h3>\n<p>A limpeza produziu 13.500 quilogramas de lixo at\u00f4mico, que necessitou ser acondicionado em 14 cont\u00eaineres que foram totalmente lacrados. Dentro destes est\u00e3o 1 200 caixas e 2.900 tambores, que permanecer\u00e3o perigosos para o meio ambiente por 180 anos. Para armazenar esse lixo at\u00f4mico e atendendo \u00e0s recomenda\u00e7\u00f5es do IBAMA, da CNEN e da CEMAM, o Parque Estadual Telma Ortegal foi criado em Goi\u00e2nia, hoje pertencente ao munic\u00edpio de Abadia de Goi\u00e1s, onde se encontra uma &#8220;montanha&#8221; artificial onde foram colocados no n\u00edvel do solo, revestida de uma parede de aproximadamente 1 (um) metro de espessura de concreto e chumbo.<\/p>\n<h3>C\u00e9sio 137 Goi\u00e2nia &#8211; Consequ\u00eancias<\/h3>\n<p>Ap\u00f3s o acidente, os im\u00f3veis em volta do acidente radiol\u00f3gico tiveram os seus valores reduzidos, pois quem morava na regi\u00e3o queria sair daquele lugar, mas o medo da popula\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de radia\u00e7\u00e3o no ar impedia a compra e constru\u00e7\u00e3o de novas habita\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m da desvaloriza\u00e7\u00e3o dos im\u00f3veis, por muito tempo a popula\u00e7\u00e3o local passou por uma certa discrimina\u00e7\u00e3o devido ao medo de passar a radia\u00e7\u00e3o para outras pessoas, dificultando o acesso aos servi\u00e7os, educa\u00e7\u00e3o e viagens. Muitas lojas e o com\u00e9rcio que existiam antes do acidente acabaram fechando ou mudando de endere\u00e7o, sobrando alguns poucos comerciantes que ainda resistiam em continuar na regi\u00e3o.[<\/p>\n<h3>C\u00e9sio 137 Goi\u00e2nia &#8211; Revitaliza\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o<\/h3>\n<p>Somente no final dos anos 90, a regi\u00e3o come\u00e7ou a passar uma imagem menos &#8220;assustadora&#8221; para os novos inquilinos, atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es do munic\u00edpio e do governo estadual para a revitaliza\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o, revalorizando as casas que estavam nas imedia\u00e7\u00f5es do acidente.<\/p>\n<p>Em quest\u00e3o de poucos anos, o valor das casas da regi\u00e3o central j\u00e1 era entre duas a tr\u00eas vezes maior do que na \u00e9poca do acidente. No in\u00edcio de 2006, a prefeitura de Goi\u00e2nia resolveu revitalizar o antigo Mercado Popular, sendo reinaugurado em novembro de 2006 com a edi\u00e7\u00e3o 2007 da Casa Cor Goi\u00e1s, com a presen\u00e7a de autoridades municipais e estaduais. Em fevereiro de 2007, o Mercado Popular passou a ser um ponto tur\u00edstico da cidade, por possuir uma feira gastron\u00f4mica todas as sextas-feiras \u00e0 noite, sempre acompanhada de m\u00fasica ao vivo.<\/p>\n<p>Aos poucos, a regi\u00e3o atingida pelo acidente vem sendo valorizada, aumentando o interesse de grandes empreiteiras constru\u00edrem pr\u00e9dios de luxo, onde antes eram apenas casebres abandonados.<\/p>\n<h4><\/h4>\n\n<div style=\"font-size: 0px; height: 0px; line-height: 0px; margin: 0; padding: 0; clear: both;\"><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O acidente radiol\u00f3gico de Goi\u00e2nia, amplamente conhecido como acidente com o c\u00e9sio-137, foi um grave epis\u00f3dio de contamina\u00e7\u00e3o por radioatividade ocorrido no Brasil. A contamina\u00e7\u00e3o teve in\u00edcio em 13 de setembro de 1987, quando um aparelho utilizado em radioterapias foi encontrado dentro de uma cl\u00ednica abandonada, no centro de Goi\u00e2nia, em Goi\u00e1s. 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