Médica é agredida por paciente dentro de UPA, em Aparecida de Goiânia

O Incidente que Chocou a Comunidade

No dia 25 de novembro de 2025, um incidente alarmante e triste ocorreu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Aparecida de Goiânia, onde a médica Ana Paula Martins foi agredida por uma paciente durante seu plantão. A agressão aconteceu ao final do expediente, quando a médica chamou a paciente pelo nome através do painel e pessoalmente, mas não obteve resposta. Quando a médica se preparava para continuar o atendimento, a paciente apareceu de forma ameaçadora, questionando se Ana Paula havia feito a chamada. Em uma situação de crescente tensão, a médica foi golpeada com cabeçadas em seu rosto.

O vídeo em que Ana Paula relata a experiência foi amplamente compartilhado nas redes sociais, onde a médica expressou a dor emocional que a agressão causou, enfatizando que as consequências emocionais foram mais profundas do que a dor física. Este incidente não apenas abalou a médica, mas também a comunidade local, levando a uma série de reflexões sobre a violência contra profissionais de saúde. A Prefeitura de Aparecida de Goiânia e o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) se manifestaram, condenando o ato e pedindo maior respeito à profissão.

Entendendo a Violência Contra Profissionais de Saúde

A violência contra profissionais da saúde é um fenômeno global que cresce em frequência e intensidade. Esse tipo de violência não se limita a ambientes específicos, podendo ocorrer em hospitais, clínicas, UPAs e até em atendimentos domiciliares. Alguns dos principais fatores que contribuem para essa situação incluem:

médica agredida UPA

  • Estresse e Pressão: Profissionais de saúde lidam diariamente com situações de alta pressão, onde decisões imediatas são necessárias. Essa pressão pode gerar frustração nos pacientes e acompanhantes, resultando em reações violentas.
  • Falta de Recursos: Muitas vezes, as unidades de saúde operam com recursos limitados, o que pode aumentar a insatisfação do paciente quando não recebe a atenção desejada rapidamente.
  • Desconhecimento do Processo de Atendimento: Pacientes e familiares podem não entender a complexidade do trabalho hospitalar, levando a expectativas irreais e a frustrações.
  • Aumento da Impunidade: Casos de agressões frequentemente não resultam em consequências significativas para os agressores, o que pode incentivar a violência.

Esses fatores não apenas afetam a experiência do usuário, mas também comprometem a segurança e a saúde mental dos atendentes. É essencial promover uma cultura de respeito e empatia dentro dos ambientes de saúde, tanto entre os profissionais quanto entre os pacientes.

A Reação da Classe Médica ao Caso

O caso da médica Ana Paula Martins gerou uma onda de solidariedade entre os membros da classe médica e demais profissionais de saúde. O Cremego repudiou a violência e destacou a importância do respeito aos que dedicam suas vidas a salvar outras. Entre as reações, a nota do Cremego enfatizou :

“Profissionais que se dedicam diariamente a cuidar e salvar vidas precisam ser respeitados e protegidos. Não há justificativa para o ocorrido.” Além de declarações de apoio, a situação despertou discussões sobre a necessidade de um ambiente de trabalho seguro e digno para os profissionais de saúde. Conscientizar a população sobre o respeito à profissão é crucial. Ações e campanhas educativas podem ser ferramentas eficazes para informar a sociedade sobre as realidades enfrentadas pelos hospitais e clínicas, promovendo uma compreensão mais profunda sobre a pressão que esses profissionais enfrentam diariamente.

Consequências Legais para o Agressor

Após o incidente, a paciente suspeita de agredir a médica foi detida pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) e ouvida na delegacia, mas acabou sendo liberada logo em seguida. Essa situação levantou questões sobre a eficácia da legislação atual em coibir a violência contra profissionais de saúde. A paciente, que estava sob regime semiaberto por homicídio, foi autuada por lesão corporal grave. Porém, a rapidez com que foi liberada pode ser vista como uma falha no sistema de justiça.

A sociedade demanda melhores estruturas legais que protejam os profissionais da saúde, e a impunidade em casos de agressão não pode ser aceita. As discussões sobre a necessidade de penas mais severas para agressores e a criação de protocolos específicos para atacar esses casos são cada vez mais urgentes. É vital que haja um fortalecimento das leis e políticas de proteção aos profissionais da saúde, talvez com a criação de um estatuto que garanta direitos e segurança aos trabalhadores da área.

Impacto Emocional da Agressão na Profissional

O impacto emocional de uma agressão pode ser difícil de quantificar, mas seus efeitos são profundos e duradouros. No caso da doutora Ana Paula, como mencionado em seu relato, a dor emocional resultante da agressão foi mais significativa do que a dor física. Profissionais de saúde frequentemente lidam com traumas e estresse devido à natureza de seu trabalho e a agressões como essa podem exacerbar problemas de saúde mental como ansiedade e depressão.



A saúde emocional dos profissionais é essencial para a qualidade do atendimento que podem oferecer aos seus pacientes. A recuperação de uma agressão não é apenas uma questão física, mas também envolve o restabelecimento da confiança do profissional em seu ambiente de trabalho. É fundamental que as instituições de saúde ofereçam suporte psicológico aos seus funcionários após ocorrências de violência, permitindo que eles processem e superem a experiência traumática.

A Necessidade de Proteção nas Unidades de Saúde

A situação vivenciada por Ana Paula Martins destaca a necessidade urgente de medidas de proteção nas unidades de saúde. Vários profissionais expressam que a segurança deve ser uma prioridade em todos os hospitais e clínicas, garantindo assim um ambiente seguro tanto para os profissionais quanto para os pacientes.

Dentre as medidas que podem ser implementadas, estão:

  • Instalação de Segurança Física: A presença de segurança nas unidades poderia inibir ações violentas.
  • Vídeomonitoramento: Câmeras de segurança podem atuar como um elemento dissuasor e ajudar na identificação de agressores.
  • Treinamento de Funcionários: Proporcionar treinamento adequado para identificar sinais de tensão ou comportamento agressivo nos pacientes pode preparar os profissionais para lidar com situações potencialmente perigosas.
  • Protocolos de Emergência: Criar e implementar protocolos que orientam como agir em situações de agressão.

Papel da Sociedade na Prevenção da Violência

A prevenção da violência contra profissionais de saúde não é tarefa apenas das instituições de saúde e das forças de segurança. A sociedade como um todo deve desempenhar um papel ativo nessas questões. Sensibilizar as pessoas sobre o trabalho dos profissionais de saúde, bem como o estresse e a pressão que eles enfrentam, é vital.

Campanhas de conscientização e educação podem contribuir para uma mudança de atitude em relação ao atendimento médico e ao respeito que deve ser dado aos profissionais da saúde. A promoção de um diálogo aberto entre a comunidade e as instituições de saúde pode facilitar a compreensão das necessidades e expectativas de ambos os lados.

Além disso, a valorização da profissão de médico e o reconhecimento de seu papel essencial no bem-estar social são fundamentais para minimizar a hostilidade que muitos enfrentam diariamente.

Reforçando a Importância do Respeito ao Médico

A situação da médica Ana Paula Martins é um reflexo da necessidade de reforçar o respeito e a valorização dos médicos dentro da sociedade. É fundamental reconhecer que eles estão numa posição de extrema responsabilidade, onde suas decisões podem impactar diretamente a vida dos pacientes. O respeito deve ser uma via de mão dupla, onde os médicos também entendem as preocupações e sentimentos dos pacientes.

As iniciativas para promover essa cultura de respeito devem ser constante. O desenvolvimento de programas de formação que enfatizem a importância do vínculo entre médicos e pacientes pode diminuir a tensão assistida em muitos contextos. Além disso, a integração de terapeutas e conselheiros nas unidades de saúde pode facilitar a comunicação entre pacientes e médicos, tornando o ambiente mais amigável e menos hostil.

Oposição à Precarização do Trabalho na Saúde

A precarização do trabalho na área da saúde é outra questão que precisa ser abordada. Médicos frequentemente enfrentam condições de trabalho adversas, como falta de materiais e infraestrutura, falta de segurança e salários não condizentes com a importância de suas funções. Essa precarização contribui para a insatisfação, tanto dos profissionais quanto dos pacientes, criando um ciclo vicioso de tensão e violência.

Sendo assim, é necessário que as entidades representativas dos médicos façam pressão sobre os órgãos governamentais e de saúde para melhorar as condições de trabalho no setor. Além disso, a sociedade deve se mobilizar e apoiar as propostas que visem a valorização dos médicos e o aprimoramento das condições da saúde pública.

Reflexões sobre a Cultura de Violência

A violência contra os profissionais da saúde é pode ser vista como um reflexo de uma cultura de violência mais ampla que permeia a sociedade. A forma como tratamos nossos semelhantes, os valores que transmitimos e a maneira como lidamos com o estresse e a frustração impactam diretamente a forma como os indivíduos se comportam em diversas situações, incluindo em momentos de crise e dor.

Assim, é essencial uma reflexão profunda sobre o que isso significa e como a sociedade pode se tornar um lugar mais respeitoso e solidário. Iniciativas conjuntas envolvendo instituições de saúde, autoridades, organizações e a população em geral são fundamentais para mudar essa situação. Construir um ambiente no qual o diálogo e a empatia sejam priorizados, é um passo necessário na luta contra a violência e pela valorização dos profissionais da saúde.