Congestionamento em procura de vaga para educação infantil em Goiânia

Telefone ocupado e a incansável busca por uma vaga nos Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis) da cidade de Goiânia começaram em 15/1, depois que a Secretaria Municipal de Educação abriu 4 mil vagas para crianças com idade entre 6 meses e 5 anos e 11 meses. Além disso, mil vagas foram abertas para educação infantil e o congestionamento na linha de telefone disponibilizada, 156, deixou muitos pais no desespero. No ano passado, 5 mil crianças ficaram na lista de espera e a situação pode ser semelhante neste ano.

A prefeitura disponibilizou para este ano, também, o cadastro pela internet por meio do site goiania.go.gov.br, mas para quem não tem acesso à rede, a situação ficou complicada. Pelo telefone, a mensagem era instantânea – uma gravação que alertava sobre o congestionamento e pedia que a ligação fosse retornada posteriormente. Inicialmente, são apenas 4 mil vagas para os Cmeis e em 2012 a demanda foi de aproximadamente 10 mil crianças. Apesar disso, outras 2 mil novas vagas serão abertas ainda neste ano com a entrega de 12 novas unidades.

Durante a campanha eleitoral, o então candidato Paulo Garcia prometeu a construção de 81 novos Cmeis até o final da gestão, em 2016. De acordo com a diretora administrativa educacional da Secretaria Municipal de Educação, Clarislene Domingos, em 2013 são 12 novas unidades, sendo que apenas uma delas será com verba do governo federal, a do bairro Real Conquista. As demais são com dinheiro do tesouro municipal.

Neste momento, a ampliação do atendimento da educação infantil é resultado da construção de 12 Cmeis, estabelecimento de três novos convênios com instituições filantrópicas, criação de 13 novas salas em centros municipais de educação infantil (Cmei) e abertura de 40 novas turmas de pré-escola, que aumentou mil vagas para a educação infantil.

Bairros beneficiados

As vagas provenientes das novas instituições beneficiarão diretamente os setores Residencial Licardino Ney, Recanto das Minas Gerais, Hugo de Morais, Parque Tremendão, Setor Vale dos Sonhos II, Jardim Pompéia, Jardim do Cerrado VII, Solange Park II, Setor Village Atalaia, Setor Pedro Ludovico, Setor Santos Dumont, Real Conquista, Residencial Itapuã, Setor Bela Vista e Goiânia Viva.

Cronograma



Apesar disso, a secretaria afirmou, por meio da assessoria, que a presidente Dilma Rousseff prometeu cumprir com o acordo e colaborar com dinheiro federal para construção de outras unidades. “A meta é entregar 24 em 2014, mais de 30 em 2015 e os demais em 2016. É possível o que foi prometido e a prefeitura irá cumprir. É preciso tempo para planejamento, concursos e o recursos humanos é a parte mais cara de um novo Cmei”, afirmou. Questionada sobre a demanda de 2013, entretanto, ela disse que não é possível dizer ao certo quantas crianças ficarão sem vagas. “Só saberemos após o primeiro remanejamento. No ano passado, foram 5 mil, mas o perfil muda, a idade muda”, finalizou.

Busca incansável

Jéssica Carvalho Barbosa, de 22 anos, é mãe de duas crianças Kauã, de 3 anos, e Henrique, de 1 ano e meio. Há dois anos ela tenta inscrever o mais velho, tentativa que se repetiu com Henrique, mas ela não conseguiu.

“Há seis meses eu saí do emprego porque não tinha mais como deixar os meninos cada dia com uma pessoa da família. Todos ajudaram: tios, primos, irmã, e a família do pai, mas é muito complicado cada dia eles estarem em um lugar. Se eu tiver que pagar por um berçário em tempo integral pagarei R$ 800 em média por cada um. Não é viável. Eu preciso dessas vagas”, completa.

Com a jornalista Lorena Lázaro a situação não é muito diferente. Mãe de Antônio, de 2 anos e de Miguel, de 9 meses, ela busca vagas desde março de 2012 e ainda não conseguiu que os filhos sejam atendidos pela rede pública. Dessa forma, trabalha apenas meio período e paga R$ 500 para que os dois fiquem no berçário por 5 horas. “Meu marido acabou de perder o emprego e as despesas são altas. É complicado gastar 1/3 do salário com um berçário que ainda é simples, perto de casa mesmo”, lamenta.

Lorena conta que, durante todo o dia, tentou cadastrar o filho Miguel pela internet, mas quando as unidades eram disponibilizadas, não eram compatíveis com a idade do menino, um problema técnico. Somente no final da tarde ela conseguiu, pela internet, credenciar o filho na unidade certa. “Uma possibilidade também é que eu consiga colocar cada um em uma unidade diferente, isso se eu conseguir a vaga, porque o cadastro não me garante nada”.

Fique atento

O cadastro está aberto por tempo indeterminado e para efetuar a inscrição, os pais precisam ter em mãos: nome completo do educando, data de nascimento, dados da mãe ou do responsável, endereço completo com CEP, telefone para contato e nome da unidade educacional pretendida.

Fonte: O Hoje



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